Símbolo da Artilharia


Se você é oficial ou praça da Arma de Artilharia do Exército Brasileiro ou um artilheiro do Corpo de Fuzileiros Navais, então esta página foi criada pensando-se em você. Sua meta é tapar, ainda que um pouco, a grande lacuna existente entre os conhecimentos doutrinário e práticos adquiridos nas escolas de formação e o fundamento teórico por trás deles. Os recém formados - sejam aspirantes, guarda-marinhas ou "lobinhos" - sabem o que fazer para executar o tiro com "justeza, inteligência e máxima presteza", contudo muitas vezes o executam quase que por automatismo: conhecem bem a doutrina, mas desconhecem a teoria que lhe dá sustento. Mal comparando, sabem como conduzir um veículo, mas não os princípios de funcionamento de seu motor.Não é interesse aqui fazer de nenhum deles um mecânico capaz de desmontar e remontar um motor, muito menos engenherio capaz de projetar um, mas um usuário melhorado com algumas noções de mecânica pode resolver muitos dos problemas mais simples e não ser tão facilmente enganado por técnicos maliciosos.

Alguns conhecimentos, contudo, são exigidos como pré-requisitos e não serão ensinados aqui. Os oficiais provavelmente já terão tido algum contato com Cálculo Diferencial e Integral nas suas escolas de formação, embora ignore até que ponto se aprofundaram no assunto ou o quanto ainda retêm desse conhecimento. Com os graduados, a situação é mais crítica, pois essa disciplina, ao que eu saiba, não é cobrada deles. Alguns podem tê-las estudado por conta própria em algum curso superior de exatas que tenham feito por conta própria, mas isso não é certo. A ambos os grupos, sugiro os livros constantes na seção de Bibliografia, que dão uma introdução mais qualitativa a essa discipla, sem complicar. Outra exigência é algum conhecimento de uma linguagem de programação, pois todas as tabelas de tiro são calculadas utilizando-se métodos numéricos. Serão utilizados basicamente C e Python. Não será um caminho indolor, mas se algum incremento à sua formação for assimilado, considero o trabalho cumprido.

Nenhum material aqui é novo e muito menos sigilo. Os mais recentes datam dos anos 70 do século XX. Contudo, a maior parte da literatura disponível está em língua inglesa e, com o monoglossismo generalisado, inacessível a muitos. Será, portanto, feita uma síntese dos principais tópicos da balístca externa, que não eliminará a necessidade de aprofundamento na literatura sobre o tema. Enquanto uma verdadeira reforma na formação acadêmica não chega, espero que, pelo menos, um "caminho das pedras" esteja disponível.

A meta de mais longo prazo é (re)construção de uma tabela numérica de tiro para o obuseiro 105mm M101 AR. Não se afobe com esse resultado, já que a viagem será mais interessante que o destino final.

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